Quem te abre a porta

Olá, sou a Marina Nogueira.

Marina Nogueira, criadora da Casa Mulher Tambor

Sou mulher, esposa, mãe de três filhos, filha, irmã gémea, engenheira e criadora da Casa Mulher Tambor.

Mas, antes de todos os papéis que ocupo na minha vida, sou uma mulher que sempre encontrou na música, na arte e no movimento uma forma de se sentir viva.

Durante mais de 20 anos fui músico. Cresci nos palcos, percorri o país de norte a sul, incluindo as ilhas, e tive o privilégio de viver experiências que marcaram profundamente o meu percurso.

Foi nos palcos que cresci. Foi através da música que aprendi a escutar. Foi através do ritmo que encontrei uma das minhas primeiras formas de expressão.

Marina Nogueira em palco, durante os seus anos como música
Marina Nogueira a tocar tambor em palco

Mais tarde, percebi que a música me acompanhava também nos momentos mais difíceis da vida.

Quando tinha 15 anos, perdi o meu pai. Foi a maior dor que vivi.

Na altura, sem me aperceber, a música, o ritmo e o movimento tornaram-se o lugar onde conseguia sentir aquilo que não conseguia explicar. Um lugar onde as emoções encontravam espaço para existir.

Hoje percebo que foi aí que começou tudo.

Mais tarde, a vida aconteceu.

Construí uma carreira profissional, tornei-me engenheira, fui mãe, assumi responsabilidades e, como acontece com tantas mulheres, comecei a colocar-me cada vez mais para o fim da lista.

Entre o trabalho, a família, as exigências do dia a dia e a vontade de dar resposta a tudo, fui-me afastando de mim própria.

Até que o corpo começou a pedir atenção.

E foi nesse momento que voltei a encontrar na música, na dança e no movimento um caminho de regresso. Não como performance ou espetáculo, mas como presença, escuta e verdade.

A Casa Mulher Tambor nasceu desse percurso.

Nasceu da vontade de criar o lugar que eu própria precisei de encontrar: um espaço íntimo e acolhedor onde as mulheres possam parar, respirar e voltar a sentir-se.

Um lugar onde não é preciso ter respostas, corresponder a expectativas ou fazer tudo bem.

Apenas chegar como se está.

Hoje abro a porta da minha casa para receber outras mulheres e partilhar este caminho de regresso ao corpo, à presença e àquilo que somos para além dos papéis que desempenhamos.

Porque acredito que o corpo guarda a nossa história.

Guarda as nossas alegrias, as nossas dores, os nossos medos, as nossas memórias e tudo aquilo que não tivemos oportunidade de expressar.

Mas acredito também que guarda uma enorme sabedoria.

A sabedoria de nos mostrar aquilo que precisamos de sentir, acolher ou transformar.

E, por vezes, aquilo que procuramos não está em mais respostas.

Está na coragem de parar, escutar e voltar a nós próprias. 🤍

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